Existem dois tipos de sofredores... aqueles que sofrem da falta de vida... e os que sofrem da abundância excessiva da vida. Eu sempre me posicionei na segunda categoria. Quando se pensa nisso, quase todo comportamento e atividade humana... são, essencialmente, nada diferentes do comportamento animal. As mais avançadas tecnologias e artefatos levam-nos, no máximo... ao nível do super-chimpanzé. Na verdade, o hiato entre Platão ou Nietzsche e o humano mediano... é maior do que o que há entre o chimpanzé e o humano mediano. O reino do verdadeiro espírito... o artista verdadeiro, o santo, o filósofo, é raramente alcançado. Por que tão poucos? Por que a História e a evolução não são histórias de progresso... mas uma interminável e fútil adição de zeros? Nenhum valor maior se desenvolveu. Ora, os gregos, há 3.000 anos, eram tão avançados quanto somos hoje. Quais são as barreiras que impedem as pessoas... de alcançarem, minimamente, o seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é... qual é a característica humana mais universal? O medo... ou a preguiça?"Nesta ponte," adverte Lorca... "a vida não é um sonho. Cuidado e... cuidado e cuidado." Tantos crêem que porque o "então" ocorreu, o "agora" não está ocorrendo. Eu não comentei? O "uau" contínuo está se dando neste mesmo instante. Somos todos co-autores desta exuberância dançante... na qual até nossas incapacidades se divertem. Somos os autores de nós mesmos, criando um romance de Dostoyevsky... estrelando palhaços. Isto em que estamos envolvidos, o mundo... é uma oportunidade de demonstrar como a alienação pode ser fascinante. A vida é uma questão de um milagre... formado de momentos perplexos por estarem na presença uns dos outros. O mundo é uma prova... para testar se podemos nos elevar às experiências diretas. A visão é um teste para saber se podemos ver além dela. A matéria é um teste para a nossa curiosidade. A dúvida é uma prova para a nossa vitalidade. Thomas Mann escreveu que preferiria participar da vida que escrever. Giacometti foi atropelado por um carro, certa vez. Ele lembra-se de ter caído em um desmaio lúcido... um prazer repentino... ao perceber que algo estava lhe acontecendo. Assume-se que não se pode compreender a vida e viver ao mesmo tempo. Não concordo inteiramente. Ou seja, não exatamente discordo. Eu diria que a vida compreendida é a vida vivida. Mas os paradoxos me perturbam. Posso aprender a amar e fazer amor com os paradoxos que me perturbam. E em noites românticas do eu... saio para dançar salsa com a minha confusão. Antes que saia flutuando, não se esqueça... ou seja, lembre-se. Porque lembrar é muito mais uma atividade psicótica que esquecer. Lorca, no mesmo poema, disse... que o lagarto morderá os que não sonham. E, quando se percebe... que se é um personagem sonhado no sonho de outra pessoa... isso é consciência de si.

Um comentário:
Vc poderia escrever e colocar em um outdoor (aqueles de bater o carro em Sao Paulo para aqueles nao paulistanos nao acostumados com a selva), um outdoor em letras garrafais: seres humanos uni-vos; ABAIXO A MEDIOCRIDADE. Sua sensibilidade me sensibilizou!
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