quarta-feira, 31 de outubro de 2007

nosso pecado é fazer da vida uma fábrica de expectativas. e não de acontecimentos...
é ou não é?
se é que se pode chamar de pecado...
mas já coloquei em pauta a indagação da caracteristica humana mais universal, né? o medo ou a preguiça...
poisé

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

cores

sabe quando voce nega e nega e nega ?!
e quando você vê não adiantou de nada, pois a negação acabou se tornando uma afirmação!?

c'est la vie...


vejo em branco e preto coisas coloridas...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Fim Final Feliz

E num impulso doce e sutil a noite chagou, chovia e nenhum deles sabia bem pra onde ir.
Sem pressa se olharam e não disseram nada. Enquanto um treinava pra pedir perdão o outro tremia esperando não ouvir nada, nem perdão, nem qualquer declaração. Um calava por não saber como dizer e o outro por não querer saber. Trocaram algumas palavras de rotina e seguiam tristes e calados. A chuva apertara e era melhor que esperassem em algum lugar.Invadindo o silencio a voz doce de um disse: Vamos tomar um chocolate quente?
E a voz insistente do outro respondia:Conhaque?! O silencio voltou e eles entraram no primeiro lugar, um pediu chocolate quente e o outro conhaque.Mas agora o que dizer?!Mas agora como não ouvir?! Frases escritas e esquecidas, e a tentativa de se nivelar pra tentar acompanhar um ao outro, mas já não estavam acompanhados. As cores se tornaram preto e branco, a ausencia de todas e todas, e a poesia passou no limiar do instante entre samba em preludio à travessia.

Mas com o tempo parece que tudo muda...

um segue ao som de berimbau, repetindo quem é homem de bem não trai o amor que lhe quer seu bem, quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém...
o outro ao som de vou deitar e rolar, repetindo voce já entrou na de voltar agora fica na tua que é melhor ficar...

...Final com Feliz não combina! E ainda falam sobre esse tal final feliz...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Grandes prazeres

"...Então comecei a namorar a Ana. Uma jornalista frustada que adorava meu jeito de dançar mesmo sabendo que eu não sabia dançar. (E ainda não sei).
Eu sempre a olhei com os olhos curiosos. A cada dia que passava eu percebia uma nova pinta no corpo dela, um novo deslize, uma nova melodia pra curar o tédio dos carros que passavam em frente a nossa casa, um novo suspiro, uma novo abrigo em cada dobra do corpo, uma nova estrela no nosso namoro cinco estrelas...E deitávamos pra viver e sentir o tempo passar. Até que uma nevoa cobriu nosso céu e a gente seguiu por universos paralelos. Ela me dizia que a gente se encontraria no infinito. E eu, sem concerto, fui.
Depois veio a Cintia, uma fotógrafa que se apaixonou pelos meus olhos. E como apaixonou. Ela me ensinou que a nossa tristeza era uma alegria falhada, e mais nada. E eu ensinei pra ela como era mais sensível fotografar com os olhos. Até hoje percebo que, no futuro, a sensibilidade deforma um pouco a foto que guardamos conosco. E também, eu não sei fotografar.
A Cintia gostava de pintar e tentou me convencer com mil pinturas como eu fico linda dormindo. Eu acho que era pintada mais delicada do que devo ser enquanto durmo. O guache dá essa impressão...E o amor também.
Mas um dia resolvi que queria ser pintada pelo resto do mundo pra poder me pintar. E, incompleta, fui...
Depois delas veio a Alice e algumas outras. A Alice gostava de xuxu com cenoura e eu achava lindo o jeito que ela tinha de me olhar e me tocar. Era um prazer sublime que compartilhávamos em segredo depois de tomar frapê de chocolate enquanto rolávamos no sofá cantando 'here comes the sunnn little darling...' A Alice tinha uma alegria diária de andar do meu lado e de viver ao meu lado. De sambar em mim e pra mim, de se debruçar em mim e por mim, de gritar pra mim e por mim... Mas meu peito doeu de tanto samba e de tanto peso, e medrosa, eu fui...
Então veio a Paula, que tinha as mãos pequenas e o nariz arrebitado. A Paula tinha gosto de pêssego. E era incrível como o sussurro dela me fazia tremer. Ela falava baixinho, e mais baixinho ainda quando falava pra me ver bamba. E via. Ela me tocava como se tocasse cristal. E me segurava na mesma intensidade. Até que me soltou. E eu fui...
Depois vieram mais algumas que me amaram por que queriam amar. Amaram o amor, talvez. E eu ia, como sempre fui. Já sabia me pintar, continuava tentando dançar, não fotografava, ainda tremia, rolava no sofá, mas sabia ir..."

domingo, 21 de outubro de 2007

o tempo nunca nos basta, queremos as coisas pra já, e por conta dos'fast foods' parece que piorou mais ainda...mas quando um professor dizia que o tempo do relógio é invenção humana e que somos responsáveis pelo nosso próprio tempo ele tinha razão...

hoje eu abri uma verdade, um segredo...poderia mesmo ter feito isso tempos atrás, mas não o fiz, sempre quase fiz...mas era quase...se eu tivesse o feito antes, seria por impulso, mas eu sempre fui mais forte que meus impulsos, pelo menos nesse caso... Foi meu cuidado, tenho certeza.
Mas hoje não foi por impulso, foi porque simplesmente foi...quando se diz o que não era pra dizer, mas que foi dito, repito, não por impulso, tento achar um nome pra dar, mas não encontro...

tem uma melodia que me toma, que me leva... mas essa melodia é sua...
tem uma letra que me toma, que me descreve pra voce...mas a letra é sua...
tem eu que me tomo, que me levo...mas esse eu é seu...e é também voce...

qué horas son mi corazon?

e eu quase sorrindo tocando flauta doce e você quase sabendo tocando minha mão amarga caída em mim antes de cair em si...
...mas a Monica queria ver um filme do Godard!!!

sábado, 20 de outubro de 2007

...

Quantos anéis te daria o que eu não faria pra te alcançar
Onde voce estaria que outros amores fui frequentar...?!

letra linda demais da conta!!!

Estar aqui me inspira, por mais cansada que alguns dias eu esteja...Sempre que algo dói, vem uma alegria maior e faz passar, vem um sorriso mais bonito e faz encantar, vem uma palavra mais intensa e faz mergulhar, quem sabe em um abismo que não existe, ou desconhecido...

Ando pensando que...se não houver poesia, não quero, não vale a pena!!!
Viver é tão bom, tão lindo, tão doce, tão sutil...

Tem um dia que nasce, tem o mesmo que morre
Tem madrugada, tem a tarde perdida, tem a noite ganha. Tem dia que sim, tem dia que não, tem dia que quase, tem dia que tudo, tem dia que nada....Será que tudo é por acaso??

O futuro foi agora!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

To Apaixonada!





17h55 - Charlie e Lola
aos sábados, às 15h15.
Tv Cultura!!!
Passa de manhã tbm, entre 11h / 11h30.


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Já tentei ter em mim o acento romântico, e já tentei me arrastar pra ver governar em mim o apelo que fazia pelo amor...Não dei certo.
Talvez as palavras tenham dado, talvez a crença tenha sido efetivada...Por terem sido ditas, por ter sido crida. Mas não era eu. Eu não dei certo.
Não enxergo em mim qualquer apelo amoroso, qualquer rastejo penoso, qualquer palavra escrita que tenha saído de um afogamento fatal, ou qualquer exaltação magnificamente amorosa, dolorosa, incabível, ou até qualquer soluçar contente...
Resolvi assumir um prato raso de mim mesma, uma qualificação vaga de que eu entendo, que tenho razão, e que ela faz de mim um ser encontrável...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Girassol!

Existiu um tempo que havia girassóis naquele terreno abandonado que tem atrás do seu prédio, uma imagem surreal de ver, e faz tempo... Tanto tempo passou, lembro que mudava de caminho pra não passar por lá, pra não ter vontade de tocar o interfone. Vezes era inevitável, acabava passando, e claro, não tocava o interfone do mesmo jeito! Em uma dessas vezes o caminho era preciso pegar pra chegar onde eu precisava, quando passei não havia mais girassóis, e o prédio ainda estava em construção...E eu mais uma vez não toquei o interfone. Mas dessa vez porque havia esquecido o andar, se era 6, se era 8 ou era 10. Na verdade eu acho que é 12!
Depois disso, esqueci, continuei, e esse caminho nunca mais fez parte dos itinerários. Perdi seu telefone umas 5 vezes, mas no meio do tempo que passava eu acabava encontrando sem procurá-lo, anotado em algum papel solto, ou cadernos abandonados. Mas também nunca liguei. Eu lembro que ainda tem algumas coisas minhas com você. Mas hoje elas já não são mais minhas, você se agregou tanto a elas que combinam mais com você. Nunca mais passei pela sua rua, nunca mais vi os girassóis, nunca mais pensei em ligar, nunca mais lembrei o andar nem o numero do apartamento, e com o tempo eu fui esquecendo tanta coisa. Em meio a este nunca mais, como as coisas são engraçadas, nos tornamos em sempre, sempre nos lembravamos dos girassóis, sempre nos lembravamos, voce que tinha livros meus com você, e eu que meus livros estavam com voce, você que esperava tocar o interfone, eu que não lembrava o numero, você que perdeu os meus telefones e eu que perdia e encontrava os seus. De repente o acaso dá um jeito de lembrar você do que você havia esquecido e só lembrava de vez enquando, e então você volta a lembrar, e volta a ver que os girassóis estão lá outra vez.
- Já te falei a minha flor preferida?
-Não, eu já te falei a minha?
-Também não.
-Girassóis!
-Girassóis!

domingo, 14 de outubro de 2007

Meus contos nunca saem do rascunho...Às vezes suspeito que todo o contexto que me enreda seja assim...
Uma vez escrevi um conto sobre uma menina chamada Elisa que eu gostei muito, pensei e repensei em publicá-lo, mas eu percebi que ela tinha demais de mim, e sem a subjetividade que sempre apara o que escrevo...E deixei no papel.
Tinha qualquer coisa a ver com uma barreira colocada pra evitar afogamentos de si, em si...
Se um dia eu sumir voce esperaria?

Depende.Por que?

Porque eu tenho pensado em ir ....

Mas isso não significa sumir.

Eu sei que não, mas 'não necessariamente'.

Por que?

Por que existem 'n' dimensões de sumir.

Você quer sumir pra onde?

Pra lugar nenhum, não é isto que estou dizendo.

O que você está dizendo então?

Quero saber se você...

Esperar? Ninguém espera ninguém, se você for, talvez um dia volta, mas caso não volte não significa que sumiu. Porque além de continuar existindo pra mim, continuará existindo naturalmente. E no meio disso tudo eu não estarei te esperando, estarei continuando, indo assim como voce.Esperar é tempo demais, é abstrato demais quando não se tem dia ou hora marcada. Os encontros são coisas da vida...Caso seu sumir seja um desencontro nosso constante, a escolha é sua...

Os desencontros também são coisas da vida...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

dançar sem musica é mais fácil do que se imagina, dançar o ritmo da cidade, o ritmo das pessoas...e tem gente que é pura musica, e vai além disso, é poesia concreta, é asa aberta, leve, sutil...
sonhar acordado é mais fácil do que se imagina, sonhar a realidade é mais real que a própria realidade...é cinema, é fotografia, é teatro, é céu azul com nuvens de desenho animado, são flores coloridas na dimensão em que olhos nus não vêem...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

"Não me interessa saber o que você faz para ganhar a vida. Quero saber o que você deseja ardentemente, se ousa sonhar em atender aquilo pelo qual seu coração anseia. Não me interessa saber a sua idade. Quero saber se você se arriscará a parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua.
Quero saber se tocou o âmago de sua dor, se as traições da vida o abriram ou se você se tornou murcho e fechado por medo de mais dor! Quero saber se pode suportar a dor, minha, ou sua, sem procurar escondê-la, reprimí-la ou narcotizá-la. Quero saber se você pode aceitar alegria minha ou sua;
se pode dançar com abandono e deixar que o êxtase o domine até as pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizer para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos. Não me interessa se a história que me conta é a verdade. Quero saber se consegue desapontar outra pessoa para ser autêntico consigo mesmo,
se pode suportar a acusação de traição e não trair a sua alma. Quero saber se você pode ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se pode buscar a origem de sua vida. Quero saber se você pode viver com o fracasso, seu e meu, e ainda, à margem de um lago gritar para a lua prateada: "Eu posso! "Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se pode levantar-se após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até os ossos, e fazer o que tem que ser feito pelos filhos. Não me interessa saber quem você é e como veio parar aqui. Quero saber se você ficará comigo no centro do incêndio e não se acovardará. Não me interessa saber onde, o que, ou com quem você estudou.
Quero saber o que o sustenta a partir de dentro, quando tudo mais desmorona. Quero saber se consegue ficar sozinho consigo mesmo e se, realmente, gosta da companhia que tem nos momentos vazios." (The invitation, inspirado por Sonhador da Montanha Oriah, índio ancião americano, maio de 1994)

domingo, 7 de outubro de 2007

enquanto seu corpo rodopiava
em tantos quartos, tontos
em tontos corpos, tantos
em bocas abertas, tortas
em palavras mudas, mortas...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

'não entender' não faz parte da minha realidade.
"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Ah, Clarice!!!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Eu tenho deitado vazia, levantado cheia de lapsos de inspiração que esqueço em questão de segundos, vazia no banho, vestida de água, surpresa só pelo aro da bicicleta não ter se partido em 37 pedaços depois do tombo que eu quase levei, corrido sem chegar a nenhum lugar por que é assim que muda-se alguma coisa em algum lugar: sem a esperança de alterar nada em volta...
Tenho visto meu sorriso por uma bobagem qualquer, que talvez até desse poesia, mas não quero fazer poesia por que não quero eufemismos no que já é um eufemismo por natureza...
E é um vazio, uma simplicidade e uma passividade de tamanha alegoria. Um vazio cheio de folhas, de branco, de calma, sem espera nenhuma de nada e com uma ligeira vontade de não sair da onde eu ando, de não sair de foco, exatamente por não ter foco nenhum. De simplificar o que tem que ser sempre complicado pra não parecer rude, mesmo que não tenha nem o que simplificar. De deixar as coisas passarem e se ver passar com elas...
Comprei uma cartolina pra me lembrar de coisas que eu costumo esquecer, e vi que esse monte de coisa em mim que eu sempre me empenhei em decodificar era só o que não devia ser decodificado por que um monte de coisa junta ao mesmo tempo é o que dá o resultado de uma coisa só e isso sim é. E ser não é pra ser decodificado...nem codificado

Bom, eu nunca tive ritmo anyway...

Belo belo

O que eu quero não é difícil nem fácil. O que eu quero não tem rosto, não tem gosto, não tem sabor. O que eu quero não cabe dentro de uma idealização romântica. O que eu quero não pode ser edificado, ou guardado numa caixa, ou talvez engarrafado. O que eu quero não pode ser mandado para viagem, nem mesmo descrito num bilhete curto, nem guardado num lapso fotográfico. O que eu quero não é partidário, não é revolucionário, não salvaria ninguém das próprias insônias.
O que quero é mais ou menos aqueles dois segundos que antecedem quando pulei de bungee jump, tipo vertigem de morte. Aquelas borboletas no estômago daquele primeiro beijo tão vertiginoso. O coração na ponta dos dedos dos loucos mais passionais. Quero o silêncio cortante das praias desertas, o último desespero de quem se afoga, o alívio depois de um parto normal.
Quero mesmo é sentir. Quero mesmo aquilo que chacoalhe as estruturas, me bote em dúvida sobre tudo aquilo que um dia eu acreditei. Eu não importo o que seja, só não seja morno. Basta desta vida morna.
Eu quero mesmo é Vida. Essa mesmo, Vida.

Maiúscula.
'enxertar mão em mão é até agora
nossa única forma de atadura
e modelar nos olhos as figuras
a nossa única propagação'

Leo Spitzer

muito bom, né? bem a cara com que a gente vive a vida...
apesar de que eu ando tão desapegada que até modelar é trabalhoso demais pra mim. tenho levado a vida muito passiva...ou os últimos dias...