Existiu um tempo que havia girassóis naquele terreno abandonado que tem atrás do seu prédio, uma imagem surreal de ver, e faz tempo... Tanto tempo passou, lembro que mudava de caminho pra não passar por lá, pra não ter vontade de tocar o interfone. Vezes era inevitável, acabava passando, e claro, não tocava o interfone do mesmo jeito! Em uma dessas vezes o caminho era preciso pegar pra chegar onde eu precisava, quando passei não havia mais girassóis, e o prédio ainda estava em construção...E eu mais uma vez não toquei o interfone. Mas dessa vez porque havia esquecido o andar, se era 6, se era 8 ou era 10. Na verdade eu acho que é 12!
Depois disso, esqueci, continuei, e esse caminho nunca mais fez parte dos itinerários. Perdi seu telefone umas 5 vezes, mas no meio do tempo que passava eu acabava encontrando sem procurá-lo, anotado em algum papel solto, ou cadernos abandonados. Mas também nunca liguei. Eu lembro que ainda tem algumas coisas minhas com você. Mas hoje elas já não são mais minhas, você se agregou tanto a elas que combinam mais com você. Nunca mais passei pela sua rua, nunca mais vi os girassóis, nunca mais pensei em ligar, nunca mais lembrei o andar nem o numero do apartamento, e com o tempo eu fui esquecendo tanta coisa. Em meio a este nunca mais, como as coisas são engraçadas, nos tornamos em sempre, sempre nos lembravamos dos girassóis, sempre nos lembravamos, voce que tinha livros meus com você, e eu que meus livros estavam com voce, você que esperava tocar o interfone, eu que não lembrava o numero, você que perdeu os meus telefones e eu que perdia e encontrava os seus. De repente o acaso dá um jeito de lembrar você do que você havia esquecido e só lembrava de vez enquando, e então você volta a lembrar, e volta a ver que os girassóis estão lá outra vez.
- Já te falei a minha flor preferida?
-Não, eu já te falei a minha?
-Também não.
-Girassóis!
-Girassóis!
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
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