sábado, 28 de julho de 2007

Trem

Estação de Trem.Espera.O relógio de ponteiros enormes, grande, que lembra o século XIX.Arquitetura rudimentar.Nostalgia.O trem demora, a espera já dura 2horas, mas o que são 2horas!?Não havia destino certo, e até onde poderia ir? As Estações em algum momento terminariam. Mas nem se importava, outro lugar o esperava. Decidiu que escolheria como um jogo de dados, ou cartas, pelo simples acaso da sorte, se é que nesse momento a sorte ainda pudesse existir perdida em alguma de suas crenças...Barulho, não se enganara, estava chegando a hora.Incerta.Sagaz. Entrou. Não pertencia mais à antiga estação, não ocupava mais o outro espaço, agora era o velho porém novo caminho. Fugia, mas não por crime, assalto ou qualquer outro motivo do tipo. Fugia, por conta de um amor não correspondido. Fazia anos que ele esperava, uma ligação, uma carta, qualquer coisa.Nessa altura até pombos correios faziam sentido.Mas acontece que qualquer coisa faz sentido quando você acredita em alguém. Vaga ilusão. Mas essa não era sua fuga principal, existiam várias outras questões consigo mesmo que não resolvera desde sempre.E se perdera no meio do caminho de si mesmo.Penultima estação, em meio à barulhos de linhas de trens e conversas aleatórias levantou como se fosse ali mesmo, desceu, muitas outras pessoas continuaram, mas elas pareciam ter um destino certo. Pensou que talvez ele pudesse ter parecido uma delas em algum momento. A cidade era bonita, o céu parecia mais claro, as pessoas mais calmas. Parou em um café, entrou e pediu um chá bem gelado, era frio e todos tomavam café ou chocolate quente. No chá faltava limão e havia muito açucar, mas mesmo assim sem reclamar tomou. Havia uma mulher linda do outro lado do balcão, eles se olhavam e ela sorriu. Ele voltou-se para o chá, com uma timidez irreal. Vez enquando a olhava e ela ali continuava, com olhar fixo sobre seus olhos, vezes se perdia nos cabelos bagunçados e embaraçados dele. Como se roubasse um pedaço dele, ela foi embora. Ele a acompanhou discretamente com os olhos até a porta, e com os mesmos voltou para o lugar agora vazio onde ela se encontrava em questão de segundos. Um livro. Ela esqueceu um livro. Ele tomou o resto do chá deixou umas moedas no balcão pegou o livro e correu. Gritou.
-Moça, seu livro.Seu livro.
Ela olhou e não parou, então sumiu no meio de inumeras pessoas...Ele voltou pro café e perguntou no balcão se alguém conhecia aquela moça.Ninguém.Perguntou sobre albergues na região, o senhor do caixa explicou e ele seguiu. O lugar era do lado da estação de trem. Entrou arrumou um quarto, pouco limpo. No mesmo dia a noite saiu, entrou na estação pra ver as pessoas que chegavam. Sentou e ao seu lado ali estava a moça. Tão linda, tão quieta.
-Você esqueceu seu livro.
-Não. Não esqueci. Dei pra você.
-Pra mim? Por que?
-Não faça perguntas sem sentido.
-Não é sem sentido, eu não te conheço, nem estava sentado com você para que me desse um livro.
-Você leu?
-O quê?
-O livro!
-Não.
-Nem reparou o nome?
-Desculpe.
-Não peça desculpas. Quando chegar em casa o abra para ler.
-Eu não tenho casa, nem moro aqui.
-Eu também não, talvez por isso te dei.
- ...
-Página 67. Abra nela.
A noite virava madrugada e ela se foi.
Ele voltou pro quarto e abriu o livro, era um manuscrito por dentro.Inumeros desenhos, escritos e mapas de estações. O folheava até chegar à página, seria 67, pensava.
Ali mesmo, havia um homem sentado em uma estação de trem.Um desenho esquisito.Escrito logo á baixo uma frase de Hilda Hilst
" De que valem os trens se tu não te moves de ti..."

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Sereia da Ilha das Palmas

Olha, eu não sei vocês, mas eu gosto de sentir o gosto das coisas inusitadas, das surpresas, das descobertas.
Hoje eu fui assistir um Sarau, tudo muito chato, tudo muito igual, mas não haviam muitos conhecidos além dos inevitáveis.
Quando acabou o Sarau, quem quisesse poderia ir ao palco e ler algo de própria autoria (ou não). Confesso que eu nem tava vendo isso, eu estava sentada longe, bebendo. Um conhecido meu veio me dar oi e etc, como manda o figurino, perguntar como vai a vida e lá lá lá, quando uma Senhora se aproximou e ele a chamou de Senhora da Ilha. Ela, com sua simpatia inigualável, se juntou a nós e ficou uns bons minutos falando da sua vida, dos 15 aos 53, alternando as falas entre suas historias e seus poemas. Eu via nos olhos dela um brilho, sentindo-se ali amada, querida, pois éramos quatro jovens atentos a qualquer palavra sua, antiga, desgastada pelo tempo, mas sem pó algum.
Confesso mais uma coisa, seus poemas não me agradavam (ta, eu não sou muito chegada em poemas), falavam sempre da tal da Ilha das Palmas, que pelo visto é onde fica a maior parte dos seus dias, com suas rimas sobre pescadores, peixes, sereias (como ela, que se autodenominava uma sereia), amores passageiros, mas uma coisa me atraiu, a Sereia não gostava de escrever sobre as dores do amor, dizia que aquilo não era coisa pra dar pro outro ler, não era justo, afirmava impunemente que de tristeza não se deve falar. Para ela escrever era estar onde quisesse, ter o homem que preferisse, como fez uma vez quando viu um pescador na beira da ilha, arrumando suas redes, e o fez seu, inventou um amor maior que o mar.
Enquanto ela contava, meus ouvidos se desligaram de tudo que passava ali, e eu observava cada ruga, cada traço riscado fundo pelos anos na pele dela, suas mãos de dedos grossos, seus olhos arregalados com um pouco de maquiagem cuidadosamente passada para embelezar a alma e colorir a vida.
Pelo tardar da hora os meus amigos tinha que ir embora, e fui me despedir da Dona Sereia, ela me pegou forte no braço e me encarou por uns segundos com um sorriso esguio no rosto.
- Ai menina, te conheço não sei de onde...você sabe? Tenho certeza que te conheço, menina, você não acha?
- Poxa, não sei não
- Tenho certeza, conheço você...hmm, deixa eu pensar.. não sei..
- Olha, queria lhe pedir um favor, posso?
- Claro menina, claro..
- Queria que você me escrevesse
- Escrever? Claro, quer meus poemas? Me dá teu CEP.
- Não, não, não quero teus poemas, quero só que me escreva.
- Ah, mas do que você gosta?
- Gosto da vida, do cotidiano, quero que me fale de você
- Ahhh, claro menina, pode deixar, vivo viajando, vou lhe escrevendo, me dá teu CEP, teu endereço.
- Você tem um papel e uma caneta?
- Tenho, só um momento. Olha, vou querer que você me escreva também, está certo? O CEP, coloca teu CEP ai.
- Certo, então ta, espero tuas cartas, até mais.

um lugar onde as mãos não se dão

Meus dias há exatamente dois anos atrás até um ano e meio atrás não tinham ar, nem sol, nem frio, nem calma, cama, nem fome, pernas, braços (nesses casos eu, não os dias) - muito menos cabeça e paz. Só a infinidade de dias me restava. Como se eu estivesse num poço só com a água que saía dos meus olhos e poros e como se não pudesse sair até que essa água me levasse ao topo.
Enquanto não via a saída próxima - ou no caso os próximos dias (e só sentia o passar dos dias doendo como faca) - eram só lágrimas e gritos e ameaças e planos mirabolantes pra atravessar o oceano em busca do que eu julgava meu. Elas todas, todas elas, ou só algumas, ou só uma. No começo era Paula, no pós começo Joana e Iracema, no meio Bruna, no pós meio Rita, Ana e Fernanda, no fim a Marcela, e no pós fim, ou enfim o fim de verdade, a Maria que não tinha nada a ver com nada. E adivinha? Acabei sozinha.
Eu olhava pro Tejo todos os dias e só pensava que metade daquilo poderia ser formado pelas minhas lágrimas agora fugidas de mim como tudo parecia ter fugido.
Eu sentia minha vida arrastada pelos cabelos de tanto doer, arrastada pelas horas que custavam a passar.
Eu sentia o chão gelado quando caía, ao me ver afundada em mim mesma de tão afundada nos outros que eu me encontrava...




Eu gosto de escrever assim triste depois que passa...

terça-feira, 24 de julho de 2007

janela secreta

Oito horas. Janela aberta e a vista direcionada ao mundo. Seis, sete prédios, três cafés um bar e uma loja de camisetas masculinas. Vista Bela Vista. Mundo Mundo Vasto Mundo. Movimentação na paisagem da janela dá mais movimento ao texto, já percebeu?
O vento bateu forte, veio forte e do fundo, deixou flores da tentativa de jardim na varanda entrarem pelo quarto, acordei.
Puta merda mas que sono. Parecia que tinha levado uma surra durante a noite. E olha que dormi bem. Aliás, eu sempre durmo bem. E essa cidade sempre me acorda muito bem também. Ou ela se acorda bem e eu acabo bem por osmose?
Derrubei o café, porra, que saco, meu único pijama. Agora me servem as blusas velhas. Ou novas. Tomei um banho quente, muito quente, sempre quente, troquei de roupa quase descendo. Aliás, desci quase trocando de roupa. Sei lá, eu que tava trocada.
Chegando no primeiro bar de esquina, parei, olhei pra cima, pros lados, pra frente, pra dentro, e pensei: O que que eu tô fazendo oito horas da manhã de sexta na rua? Tô desempregada faz três meses, não estudo mais, não tenho médico esse mês, meu dentista foi semana passada... Já era, meu sono já era, vou andar. Parei em três cafés em uma hora e meia. Fumei 12 cigarros em uma hora e meia, pensei tanto que não tinha sol nem calor e eu tava quente. Como se tivesse me bronzeado sem protetor. Como se fosse difícil pensar, e eu não era uma desempregada vagabunda, eu andava sempre pensando. Pensando na vida, nas moléculas, na energia-sintonia ou essa coisa cósmica que me ronda, nos outros, em mim, sempre em mim, mas nunca fui do tipo cada um por si e todos por mim. Assim, querer eu queria, mas eu sei que as coisas não são assim e eu sempre fui por todos também.
Eu tinha pressa, sempre tive pressa, andava com os passos largos, meio bambos, como se esperasse alguma coisa acontecer. Tinha uma fé em coincidências, ou no inevitável, ou no destino, seja lá como você queira chamar isso...Fé em que, por ter saído de casa que nem tonta as oito da manhã em plena sexta feira alguma coisa boa tinha que me acontecer. Acreditava ou queria acreditar que o universo queria minha presença naqueles cafés, minha fumaça naquelas quadras, minha boca naqueles doze cigarros, meus pés naqueles ladrilhos, aquelas buzinas no meu ouvido às oito da manhã, mas fé andava me faltando, não que ela tenha faltado nesse dia, mas só pra constar que eu não andava carregando muita fé em nada. Muito menos na vida, no universo, ou em mim.
Alguma coisa tinha que fazer sentido, já que eu não fazia - nem ali na rua, nem na minha vida - "por enquanto" eu pedia, pedia que tudo isso e aquilo fosse por enquanto. Que só por enquanto o sono me faltasse - e pedia todas as noites -, que só por enquanto a solidão me visitasse, que só por enquanto eu fosse triste.
Passava dias triste, sem comer direito, ou comendo muito, dependia do meu acordar - e esse acordar não dependia do acordar da cidade - sem poder usar de tudo que eu tinha de bom e de alegre a dar ao mundo ou só as esquinas do meu bairro ou só ao centro da cidade onde havia tanta gente, tanto movimento... mais movimento do que perto da minha casa, e olha que já tinha tanto, tanto que quase fiquei perturbada (ou fiquei e não sei) um tempo de tantos passos e carros e escapamentos de motos. Mas eu adorava.
Queria que meus braços voltassem a abraçar o mundo que nem me conhecia mas que passava a conhecer quando eu o rasgava com um sorriso. Ai, como fazia tempo.
Aí pensei que o mundo e essa coisa cósmica e essa minha fé tinham se juntado e conspirado pro meu acordar nessa sexta feira fria. Acordar pra vida. E talvez tivessem mesmo, talvez tudo isso tivesse formado um inconsciente coletivo comigo, com o meu universo ali, pequeno médio grande, e me feito acordar. Aí uma fé bonita que eu tinha no mundo talvez fizesse meus abraços abrirem de novo.
Mas uma tristeza vulgar que eu tinha em mim, vulgar de tantas vezes que a repeti, por que ela era única em relação ao mundo (era tão original que nem sabia por que chorava) andava na minha sombra. É que na verdade eu nunca consegui passar pela solidão sozinha...
Tento fazer desse lugar o meu lugar, ao menos por enquanto, enquanto isso durar...


Tem muita programação teatral por aqui, mas são tantas que nem sei por onde começar...e esse meio de locomoção busão e metro enche o saco e ainda pior, me insitga à um dos sete pecados capitais: A Preguiça! hahaha

Voilá!

segunda-feira, 23 de julho de 2007

São Paulo

Os dias de chuva estão acompanhados de nostalgia, saudades do sol, coca-cola, cigarros, preguiça, livros, imaginação e papos pro ar!

São Paulo instiga preguiça quando chove!!!
Mas ao mesmo tempo, sexta, sabado e domingo à noite parece que não chama você, mas grita!

Uma coisa meio, a Lua me chama eu tenho que ir pra rua...

Eu fico aqui contando os dias nem sei pra que, com saudades do que vivi e estranhamente do futuro que acredito ser o meu, mas é bobagem, pura bobagem. Verdade é que eu não ligo pra muita coisa, mas acredito na maioria delas...rá!

sábado, 21 de julho de 2007

engraçado...hoje só ouvi cranberries...

Cade?!

Cade voces que eu preciso compartilhar uma singularidade...
I Can't Be With You
The Cranberries

Lying in my bed againAnd I cry cuz you're not hereCrying in my head againAnd I know that it's not clearPut your hands, put your handsInside my face and see that it's just youBut it's bad and it's madand it's making me sadBecause I can't be with youBe with youBe with youBaby I can't be with youThinking back on how things wereAnd how we loved so wellI wanted to be the motherof your childAnd now it's just farewellPut your hands in my handAnd come with meWe'll find another endAnd my head, and my headOn anyone's shoulderCause I can't be with youBe with youBe with youBaby I can't be with youCause you're not here, you're not hereBaby I can't be with youCause you're not here, you're not hereAnd baby I'm still in love with you

to apaixonada por essa musica. é triste eu sei,mas meu,olha que declaração vai!!

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Sujeito à intervenções

Tava escuro,a escuridão agradava os sentidos,mas ao passar do tempo amedrontava o mesmo.Estava sentado na sala,sobre meia luz,olhava pro sofá,espaçoso,de couro,preto.Se confortava na cadeira da mesa mesmo,era uma só.Uma mesa e uma cadeira.Parecia que nem visita ele pensava e costumava receber.Acendeu o cigarro com um isqueiro que quase negava fogo.Mas ele insistia e assim fumava.Olhou ao redor,nem mesmo um cachorro pra que pudesse alimentar.E lembrou que precisava alimentar-se.Mas era sozinho até pra si mesmo.Como podia?!Pensou como seria a casa vazia,qual sentido teria,talvez o mesmo quando com ele lá dentro.Mas não tinha como saber.No que mudaria!?Não havia televisão,a informação ele preferia escutar pelo rádio ou ler.Não queria entretenimento a cabo nenhum.Ele não gostava de futebol também.Não gostava de esportes.Seu passatempo era imaginar acompanhado por um leve cigarro que fedia e impregnava a casa inteira.Gostava de música também,violino era seu intrumento favorito.E ele parecia soar feito violino,leve porém denso.Permaneceu ali até que o sono lhe chamasse mais uma noite.E o sono sempre chamava,pontualmente às 22h55,só se lembrava de jogar o lixo antes,pois tinha pavor de ratos e baratas.O apartamento ficava em alguma rua perdida e precária do centro da cidade.Pensou novamente em ter um cachorro,ora,qualquer mendigo miserável tem um cachorro como companhia...Mas não,não adiantaria de nada.Ele chegava a se colocar no lugar de um cão miserável,mas não havia como,nem mesmo quem acompanhar ele tinha.Que porra deve ser não ter ninguém.E então ele abandonou a casa,o sofá,a mesa e a cadeira,e abandonou também a idéia de ter um cachorro.O que me intriga é que ele abandonou o que praticamente não tinha,aliás,o que havia pra abandonar a não ser um abrigo para dias gelados e noites mais seguras!?Como abandonar a vida que não se vive!?Mas ele seguia,sem nem saber porque,nem pra onde...Hoje eu o avistei da janela do meu quarto atravessando a faixa,tão calmo,tão vivo,exposto ao sol...enquanto eu...continuava aqui.Não abandono o que tenho,nem quando as circunstancias pedem o abandono.Que porra de ser mais egoísta penso eu ser.Mas acontece que ele sabe muito bem o que lhe cabe,ele sabe perder, pelo fato de não ter,ou não considerar nada como propriedade.Sei lá...

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Braços abertos. É assim que enxergo a posição de quase todos nós. Braços abertos pra todos, pra vida, pro mundo, pra fora, pra dentro, pra cima, pra sempre.
É assim que sinto que vou e é esse meu estado natural. De ir. Ir na intenção de expandir. Pra todos, pra vida, pro mundo, pra fora, pra dentro, pra cima, pra sempre. Braços abertos. (...)

Desisti do resto do texto.

Mas eu me encontro num meio termo, e pergunto-vos: a palavra foi dada ao homem para esconder seu pensamento ou para suprir nossa incapacidade de ler pensamentos?

quarta-feira, 18 de julho de 2007

a vida sem vocês...o mar escuro, dia feio, ventania....
tá, tá, nunca posto e agora desimbestei né? errr..parei.
ah..
engraçado como o medo une as pessoas né?

eu e dani não nos falamos quase nunca ao telefone, nem quando ela ainda morava por essas bandas, mas bastou eu ver um acidente perto de onde ela mora que fui correndo, desesperada ligar pra ela..
HUAUHA

um brinde as nossas vidas, vivas!
ai
escrevi um texto enoooooooorme, mas quando vou ler me parece tão chato, e bobo.
não sou tão boa com as palavras como vocês, e tão pouco com o Caio, que é sempre bem vindo por aqui...

"eu vou dizendo na seqüência bem clichê..eu preciso de vocês.."

Gente, vocês fazem uma falta que não cabe, sabe?
Hoje foi um dia estranho, aliás, estes dias tem sido bem estranhos, sabe?
Dias que só vocês preencheriam todas as faltas que eu senti. Risadas, cafés, filmes, gérberas, abraços, ciúmes, chocolates, telefonemas, confissões, momentos, cócegas, tintas...CORES.

Meu azul e meu verde...
insubstituíveis.

terça-feira, 17 de julho de 2007

os dragões não conhecem o paraíso

"Tenho um dragão que mora comigo. Não, isso não é verdade. Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele estava comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs da ausência dele, pensei assim: os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderam no caos da desordem sem nexo.
Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.
Essa imagem me veio hoje pela manhã quando abri a janela e vi que não suportaria passar mais um dia sem contar essa história de dragões. Gosto de dizer, tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade.
Como eu dizia, um dragão jamais pertence a nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja um unicórnio, salamandra, elfo, sereia ou ogro. Eles não dividem seus hábitos. Ninguém é capaz de compreender um dragão. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro) sempre batem a cauda três vezes, como se estivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja a sua maneira desajeitada de dizer: que seja doce."

"(...) Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pantanal de antes, cheio de possibilidades – que não aconteciam, mas que importa? – a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada."

portugal

aqui parece tudo mais calmo. nao por ter menos movimento, menos carros, menos caos no metro (por que é tudo igual), mas por que as cores pedem mais calmaria. os turistas usam cores calmas, azul, branco, bege. o ceu é um azul tranquilo, os monumentos seguem as cores cinza claro ou cinza um pouco mais escuro por que o tempo passou. e talvez realmente a calmaria de antes tenha passado tambem. mas so um pouco. as lojas nao tem cores muito vivas, as estampas das roupas tem mais. e mais babados, babados que nao acabam nunca mais.
as pessoas andam quietas, os atendentes sao sempre curtos e grossos, o ice tea nao tem gosto, a comida é ótima e o café melhor ainda.
mas ainda falta alguma coisa...(além da simpatia desses portugueses uós)

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Tarde Vazia

Pela janela vejo fumaça, vejo pessoasNa rua os carros, no céu o sol e a chuvaO telefone tocou na mente fantasiaVocê me ligou naquela tarde vaziaE me valeu o diaVocê me ligou naquela tarde vaziaE me valeu o diaPela janela vejo fumaça, vejo pessoasNa rua os carros, no céu o sol e a chuvaO telefone tocou na mente fantasiaVocê me ligou naquela tarde vaziaNa mente fantasiaVocê me ligou naquela tarde vaziaNa mente fantasiaVocê me ligou naquela tarde vaziaE me valeu o diaValeu o dia. Valeu o diaVocê me ligou naquela tarde vaziaNa mente fantasiaNa mente fantasia. Na mente fantasiaPodia ter muitas garotas mas você é diferenteVocê me ligou naquela tarde vaziaE me valeu o diaValeu o dia. Valeu o dia.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

eu to numa crise de inspiração tensa já faz um tempo. não sei se é falta de, excesso da, ou se simplesmente é e pronto. eu ando assim. sou e pronto. ando e pronto. estou e pronto. sem muito estender à nada. e nada muito a flor da pele que poderia ser descrito assim, em palavras rimadas ou interminaveis frases sem virgula, sem uma respiração enquanto se lê, se escreve, se vive, só com a ofegancia final no final de tudo. pela falta de ar que tudo tem tomado...
é só assim que escrevo. e nao tenho escrito.
tenho sentido qualquer vontade de viver pulsando, mas anda faltando pulso...ou sei lá.

Achei!

Comprei,compreeei,o livro que eu não encontrava de jeito nenhum da Clarice,A Maça no Escuro!!!
Era o ultimo da loja,e fui achar perdido em Literatura Estrangeira(?!)Já cheguei querendo devora-lo,mas os livros da Clarice são assim,bem devagar pra demorar chegar ao fim...

terça-feira, 10 de julho de 2007

final de ano de 2006...

desencontro interminável até o terminar do ano...

eu deito e custo a dormir, eu acordo e custo a levantar. custo a acordar. é fim de ano e parece que quem anda ao meu lado já vê os fogos antes da hora. eu continuo ouvindo a mesma música, continuo bebendo as mesmas coisas pra saciar minha sede que não sacia. sempre me forcei a ser subjetiva quando escrevesse, e hoje não consigo me desvincular.

na verdade eu queria acordar o mundo pra ver se consigo me acordar, parece que continuo dormindo enquanto não aprendo a cuidar de mim, que minhas pernas são frágeis e que não me deixam andar, e na verdade, mesmo que fossem elas, fortes o bastante, eu não saberia pra onde ir. parece que me perdi de mim agora que não encontro o resto, e não me faço nada encontrável longe ou perto...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

felicidade, amor e saudades que não cabem.
impossível (d) escrever..

queridas,

"Amo vocês como quem escreve para uma ficção:sem conseguir dizer nem mostrar isso . O que sobra é o áspero do gesto , a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco - todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado - nós da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão..."

sábado, 7 de julho de 2007

Dia se ama,no outro não mais
O eterno é inconstante
Dia se quer,no outro não mais
O querer é fase
Dia se faz,no outro não mais
O fazer é a coragem que surge como uma ave de rapina
Dia são planos,no outro enganos
Os planos escorrem como areia entre os dedos
Os enganos,imadiatismo impensado
Um dia se arrisca
Arriscar consiste em valer a pena
Um dia a gente diz a verdade,no outro mente
Pra dizer a verdade é preciso coragem
Mentir consiste em anular-se ou ocultar
Afinal,há segredos que nem mesmo você gostaria de ter...
Dia sim.Dia não.Dia Talvez.Dia certeza.
As coisas geram causas,mesmo que as causas sejam a simples ocupação de espaço das coisas.
Mas o que são 'coisas'!?
Definação de nada ou tudo,usual,geral.
Definição do que é passageiro Do que é metade,do que é inteiro.
Dia oscila,mas tem dia que parece que não
Dia ligado nos ponteiros dos relógios,outro se esquece a existencia deles
Dia bom,dia maravilhoso,dia ruim,dia péssimo
O que são os dias então!?
Esqueçam o calendário
Vezes parece nada,porém tudo.Absolutamente tudo.
Eterna continuação oscilante do que a vida é.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O Florir



O florir do encontro casual
Dos que hão sempre de ficar estranhos...
O único olhar sem interesse recebido no acaso
Da estrangeira rápida ...
O olhar de interesse da criança trazida pela mão
Da mãe distraída...
As palavras de episódio trocadas
Com o viajante episódico
Na episódica viagem ...
Grandes mágoas de todas as coisas serem bocados...
Caminho sem fim...

Fernando Pessoa

domingo, 1 de julho de 2007

l'instrument de l'intuition


L’appareil photographique est pour moi un carnet de croquis, l’instrument de l’intuition et de la spontanéité, le maître de l’instant qui, en termes visuels, questionne et décide à la fois. Pour « signifier » le monde, il faut se sentir impliqué dans ce que l’on découpe à travers le viseur. Cette attitude exige de la concentration, de la sensibilité, un sens de la géométrie. C’est par une économie de moyens et surtout un oubli de soi-même que l’on arrive à la simplicité d’expression.
Photographier : c’est retenir son souffle quand toutes nos facultés convergent pour capter la réalité fuyante ; c’est alors que la saisie d’une image est une grande joie physique et intellectuelle.
Photographier : c’est dans un même instant et en une fraction de seconde reconnaître un fait et l’organisation rigoureuse de formes perçues visuellement qui expriment et signifient ce fait.
C’est mettre sur la même ligne de mire la tête, l’œil et le cœur. C’est une façon de vivre.

. Henri Cartier Bresson.
Desfaz-se o tempo em rotinas e vontades
Em projetos e verdades
Em desgostos que se alastram
Em vestígios distorcidos
De nascentes que encontramos
E é sempre quando seguem que
Tudo se tem que agarrar,
Tudo faz fugir,
E a verdade passa a estar
No fundo de um copo cheio do que se quer ser



é assim, a gente vai crescendo e a vida vai nos encaminhando pra rumos diferentes. isso é bom? não sei. deve haver algo de bom nisso aí. a saudade dói, mas talvez as coisas que encontramos nos novos caminhos 'supram' (?) tudo isso.
ninguém é substituível...maaas...que sejam felizes as descobertas.
sucesso.