quinta-feira, 26 de julho de 2007

um lugar onde as mãos não se dão

Meus dias há exatamente dois anos atrás até um ano e meio atrás não tinham ar, nem sol, nem frio, nem calma, cama, nem fome, pernas, braços (nesses casos eu, não os dias) - muito menos cabeça e paz. Só a infinidade de dias me restava. Como se eu estivesse num poço só com a água que saía dos meus olhos e poros e como se não pudesse sair até que essa água me levasse ao topo.
Enquanto não via a saída próxima - ou no caso os próximos dias (e só sentia o passar dos dias doendo como faca) - eram só lágrimas e gritos e ameaças e planos mirabolantes pra atravessar o oceano em busca do que eu julgava meu. Elas todas, todas elas, ou só algumas, ou só uma. No começo era Paula, no pós começo Joana e Iracema, no meio Bruna, no pós meio Rita, Ana e Fernanda, no fim a Marcela, e no pós fim, ou enfim o fim de verdade, a Maria que não tinha nada a ver com nada. E adivinha? Acabei sozinha.
Eu olhava pro Tejo todos os dias e só pensava que metade daquilo poderia ser formado pelas minhas lágrimas agora fugidas de mim como tudo parecia ter fugido.
Eu sentia minha vida arrastada pelos cabelos de tanto doer, arrastada pelas horas que custavam a passar.
Eu sentia o chão gelado quando caía, ao me ver afundada em mim mesma de tão afundada nos outros que eu me encontrava...




Eu gosto de escrever assim triste depois que passa...

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