sexta-feira, 20 de julho de 2007
Sujeito à intervenções
Tava escuro,a escuridão agradava os sentidos,mas ao passar do tempo amedrontava o mesmo.Estava sentado na sala,sobre meia luz,olhava pro sofá,espaçoso,de couro,preto.Se confortava na cadeira da mesa mesmo,era uma só.Uma mesa e uma cadeira.Parecia que nem visita ele pensava e costumava receber.Acendeu o cigarro com um isqueiro que quase negava fogo.Mas ele insistia e assim fumava.Olhou ao redor,nem mesmo um cachorro pra que pudesse alimentar.E lembrou que precisava alimentar-se.Mas era sozinho até pra si mesmo.Como podia?!Pensou como seria a casa vazia,qual sentido teria,talvez o mesmo quando com ele lá dentro.Mas não tinha como saber.No que mudaria!?Não havia televisão,a informação ele preferia escutar pelo rádio ou ler.Não queria entretenimento a cabo nenhum.Ele não gostava de futebol também.Não gostava de esportes.Seu passatempo era imaginar acompanhado por um leve cigarro que fedia e impregnava a casa inteira.Gostava de música também,violino era seu intrumento favorito.E ele parecia soar feito violino,leve porém denso.Permaneceu ali até que o sono lhe chamasse mais uma noite.E o sono sempre chamava,pontualmente às 22h55,só se lembrava de jogar o lixo antes,pois tinha pavor de ratos e baratas.O apartamento ficava em alguma rua perdida e precária do centro da cidade.Pensou novamente em ter um cachorro,ora,qualquer mendigo miserável tem um cachorro como companhia...Mas não,não adiantaria de nada.Ele chegava a se colocar no lugar de um cão miserável,mas não havia como,nem mesmo quem acompanhar ele tinha.Que porra deve ser não ter ninguém.E então ele abandonou a casa,o sofá,a mesa e a cadeira,e abandonou também a idéia de ter um cachorro.O que me intriga é que ele abandonou o que praticamente não tinha,aliás,o que havia pra abandonar a não ser um abrigo para dias gelados e noites mais seguras!?Como abandonar a vida que não se vive!?Mas ele seguia,sem nem saber porque,nem pra onde...Hoje eu o avistei da janela do meu quarto atravessando a faixa,tão calmo,tão vivo,exposto ao sol...enquanto eu...continuava aqui.Não abandono o que tenho,nem quando as circunstancias pedem o abandono.Que porra de ser mais egoísta penso eu ser.Mas acontece que ele sabe muito bem o que lhe cabe,ele sabe perder, pelo fato de não ter,ou não considerar nada como propriedade.Sei lá...
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