Estação de Trem.Espera.O relógio de ponteiros enormes, grande, que lembra o século XIX.Arquitetura rudimentar.Nostalgia.O trem demora, a espera já dura 2horas, mas o que são 2horas!?Não havia destino certo, e até onde poderia ir? As Estações em algum momento terminariam. Mas nem se importava, outro lugar o esperava. Decidiu que escolheria como um jogo de dados, ou cartas, pelo simples acaso da sorte, se é que nesse momento a sorte ainda pudesse existir perdida em alguma de suas crenças...Barulho, não se enganara, estava chegando a hora.Incerta.Sagaz. Entrou. Não pertencia mais à antiga estação, não ocupava mais o outro espaço, agora era o velho porém novo caminho. Fugia, mas não por crime, assalto ou qualquer outro motivo do tipo. Fugia, por conta de um amor não correspondido. Fazia anos que ele esperava, uma ligação, uma carta, qualquer coisa.Nessa altura até pombos correios faziam sentido.Mas acontece que qualquer coisa faz sentido quando você acredita em alguém. Vaga ilusão. Mas essa não era sua fuga principal, existiam várias outras questões consigo mesmo que não resolvera desde sempre.E se perdera no meio do caminho de si mesmo.Penultima estação, em meio à barulhos de linhas de trens e conversas aleatórias levantou como se fosse ali mesmo, desceu, muitas outras pessoas continuaram, mas elas pareciam ter um destino certo. Pensou que talvez ele pudesse ter parecido uma delas em algum momento. A cidade era bonita, o céu parecia mais claro, as pessoas mais calmas. Parou em um café, entrou e pediu um chá bem gelado, era frio e todos tomavam café ou chocolate quente. No chá faltava limão e havia muito açucar, mas mesmo assim sem reclamar tomou. Havia uma mulher linda do outro lado do balcão, eles se olhavam e ela sorriu. Ele voltou-se para o chá, com uma timidez irreal. Vez enquando a olhava e ela ali continuava, com olhar fixo sobre seus olhos, vezes se perdia nos cabelos bagunçados e embaraçados dele. Como se roubasse um pedaço dele, ela foi embora. Ele a acompanhou discretamente com os olhos até a porta, e com os mesmos voltou para o lugar agora vazio onde ela se encontrava em questão de segundos. Um livro. Ela esqueceu um livro. Ele tomou o resto do chá deixou umas moedas no balcão pegou o livro e correu. Gritou.
-Moça, seu livro.Seu livro.
Ela olhou e não parou, então sumiu no meio de inumeras pessoas...Ele voltou pro café e perguntou no balcão se alguém conhecia aquela moça.Ninguém.Perguntou sobre albergues na região, o senhor do caixa explicou e ele seguiu. O lugar era do lado da estação de trem. Entrou arrumou um quarto, pouco limpo. No mesmo dia a noite saiu, entrou na estação pra ver as pessoas que chegavam. Sentou e ao seu lado ali estava a moça. Tão linda, tão quieta.
-Você esqueceu seu livro.
-Não. Não esqueci. Dei pra você.
-Pra mim? Por que?
-Não faça perguntas sem sentido.
-Não é sem sentido, eu não te conheço, nem estava sentado com você para que me desse um livro.
-Você leu?
-O quê?
-O livro!
-Não.
-Nem reparou o nome?
-Desculpe.
-Não peça desculpas. Quando chegar em casa o abra para ler.
-Eu não tenho casa, nem moro aqui.
-Eu também não, talvez por isso te dei.
- ...
-Página 67. Abra nela.
A noite virava madrugada e ela se foi.
Ele voltou pro quarto e abriu o livro, era um manuscrito por dentro.Inumeros desenhos, escritos e mapas de estações. O folheava até chegar à página, seria 67, pensava.
Ali mesmo, havia um homem sentado em uma estação de trem.Um desenho esquisito.Escrito logo á baixo uma frase de Hilda Hilst
" De que valem os trens se tu não te moves de ti..."
sábado, 28 de julho de 2007
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Um comentário:
acho que te moves de ti.
se não move, não tem problema. não deixa de ser um comentário que parece profundo e bonito.
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